A Copa terminou. A contagem regressiva para 2030 já começou.

Depois de acompanhar presencialmente cinco das últimas seis Copas do Mundo, com a Rússia sendo minha única ausência por motivos profissionais, eu imaginava já conhecer bem o que esse evento é capaz de proporcionar. Mesmo assim, a Copa de 2026 conseguiu me surpreender.
Realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, esta foi a maior Copa da história: 48 seleções, 104 partidas e quase 7 milhões de torcedores nos estádios. Antes mesmo da final, a FIFA já registrava mais de 6,6 milhões de espectadores em 102 jogos, além de 7,7 milhões de visitantes nas Fan Festivals.
Mas talvez o número que melhor demonstre o sucesso do torneio nos Estados Unidos tenha vindo da televisão.
A final entre Espanha e Argentina foi assistida por quase 63 milhões de pessoas no país, somando as transmissões da FOX, Telemundo e Peacock. Foi a maior audiência de um jogo de futebol já registrada na televisão americana. Apenas na FOX, foram 38,9 milhões de espectadores, com um pico de 51,7 milhões nos minutos decisivos da partida.
Para colocar essa dimensão em perspectiva, o Super Bowl deste ano, maior evento esportivo da televisão americana, teve audiência média de 125,6 milhões de pessoas. Ou seja, a final da Copa alcançou o equivalente a aproximadamente metade da audiência do Super Bowl.
A comparação com o basquete também impressiona. O jogo que decidiu as finais da NBA, dando o título ao New York Knicks, teve média de 24,5 milhões de espectadores e pico de 33 milhões. Mesmo sendo a partida decisiva da NBA mais assistida em décadas, sua audiência média representou menos da metade da registrada pela final da Copa.
Definitivamente, já não faz sentido dizer que os americanos não se interessam por futebol, ou como dizem, pelo “soccer”.
A Copa começa muito antes do apito inicial
Apesar de todos esses números, eles ainda não explicam completamente o que significa viver uma Copa do Mundo.
Quem nunca participou pode imaginar que a experiência começa quando o árbitro apita. Na verdade, ela começa horas antes, nas ruas, nos aeroportos, nas estações de metrô, nos bares, nas Fan Festivals e nas caminhadas até o estádio.
É difícil descrever a sensação de encontrar pessoas de diferentes países, falando idiomas distintos e vestindo as cores de suas seleções, mas compartilhando a mesma alegria. Por algumas horas, brasileiros, argentinos, mexicanos, japoneses, americanos, europeus e africanos cantam juntos, trocam camisas, tiram fotos e celebram o futebol.
É claro que assistir aos jogos do Brasil tem um significado especial. Mas uma das maiores descobertas de quem frequenta Copas do Mundo é perceber que não importa quais seleções estejam em campo. Cada jogo oferece uma história, uma cultura e uma atmosfera diferentes.
Normalmente, o ambiente antes e depois das partidas é amigável, divertido e familiar. Dentro do estádio ou em uma Fan Festival, a Copa consegue fazer algo cada vez mais raro no mundo: aproximar pessoas completamente diferentes sem exigir que elas concordem sobre quase nada, além do amor pelo futebol.
O possível adeus de uma geração
Esta Copa também pode ter marcado a despedida de alguns dos maiores jogadores que já vimos.
Talvez tenhamos acompanhado os últimos jogos de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Luka Modrić em uma Copa do Mundo. Digo “talvez” porque, depois de tudo o que esses jogadores fizeram, seria prudente nunca apostar contra eles.
Também podemos ter visto a última participação de Neymar em um Mundial. Nesse caso, espero sinceramente estar errado.
Independentemente do que acontecer daqui para a frente, tivemos o privilégio de acompanhar uma geração extraordinária. Jogadores que não apenas conquistaram títulos e quebraram recordes, mas ajudaram a definir uma época do futebol.
A parte que precisa mudar
Nem tudo, entretanto, foi positivo.
O preço dos ingressos foi, para mim, o grande ponto negativo desta edição. Vi pessoas pagarem cerca de US$ 2.500 por um único ingresso no topo do estádio para assistir a Brasil x Escócia.
Para dar uma referência pessoal, eu não gastei esse valor na compra de dez ingressos para jogos da primeira fase da Copa do Catar.
Entendo perfeitamente que os preços são influenciados pela oferta e pela procura. A demanda foi enorme, os estádios ficaram lotados e o mercado respondeu. Ainda assim, quando um ingresso custa milhares de dólares, corremos o risco de transformar o maior evento popular do mundo em uma experiência acessível apenas para uma pequena parcela dos torcedores.
Gostaria muito que, em 2030, os preços voltassem a níveis mais próximos dos praticados antes desta Copa. Sei que será difícil. Talvez a realização do torneio principalmente em Espanha, Portugal e Marrocos, com uma cultura diferente em relação ao futebol e aos torcedores, produza alguma mudança. Veremos.
Mais quatro anos
Quando o árbitro apitou o fim da final, terminou oficialmente a Copa de 2026. Mas quem já viveu uma Copa do Mundo sabe que ela nunca acaba naquele momento.
Ela continua nas histórias que contamos, nas amizades que fazemos, nas camisas que guardamos e nas lembranças que levamos para o resto da vida.
Agora começa uma nova etapa: voltar a fazer minha poupança mensal, organizar os planos e esperar por 2030.
Se Deus permitir, estarei novamente lá, desta vez ao lado de ainda mais familiares e amigos, vivendo outro capítulo dessa paixão.
Porque uma Copa do Mundo dura pouco mais de um mês.
Mas a saudade, os sonhos e a vontade de viver a próxima duram exatamente quatro anos.
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